A Aliança Nacional por um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), liderada pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, solicita uma investigação profunda e transparente sobre os assassinatos de 57 dos seus membros desde Agosto de 2025, data em que o partido foi formalmente criado.
A mais recente vítima é Ilídio Facitela Gustavo, mobilizador da Anamola no distrito de Morrumbene, na província do Inhambane. O corpo de Gustavo foi encontrado após ter sido raptado por indivíduos até agora desconhecidos; o seu funeral decorreu na última terça-feira.
Gustavo, cuja morte ocorreu no distrito de Homoíne, era uma das testemunhas de Mondlane num processo marcado para ser julgado no Supremo Tribunal. Mondlane enfrenta cinco acusações criminais relacionadas com manifestações em massa pós-eleitorais. A manifestação que convocou, para protestar contra os alegados resultados fraudulentos das eleições gerais realizadas em Outubro de 2024, iniciou-se pacificamente, mas degenerou em distúrbios.
As acusações contra Mondlane incluem: apologia pública de crime, incitamento à desobediência colectiva, instigação pública ao crime, instigação e incitamento ao terrorismo. O julgamento, que estava agendado para 6 de Outubro, pode ser adiado face a um pedido de Mondlane, que aguarda avaliação pela Secção Criminal do Supremo Tribunal.
Alberto Manhique, porta-voz da Anamola, informou aos repórteres em Maputo que o número de membros assassinados atingiu agora 57 com a morte de Ilídio Facitela Gustavo, além de 436 outros casos de “violência extrema” contra o partido.
“Estamos a compilar e monitorar casos envolvendo membros e estruturas organizacionais que foram vítimas de violência letal, com o total actualmente a ascender a 57”, declarou Manhique.
O partido defende que, quando uma testemunha é eliminada, a própria justiça perde uma voz importante, já que essa pessoa teria muito a contribuir e esclarecer em tribunal.
“Quando uma testemunha é eliminada, quem se beneficia deste assassinato? O Estado falha em proteger a vida das pessoas e em prevenir o assédio político. A Anamola exige um rigoroso cumprimento da lei e a protecção de todos os cidadãos moçambicanos”, afirmou.
De acordo com a prominente ONG “Decide” – Plataforma Eleitoral, estes assassinatos reforçam a necessidade de uma resposta institucional que não se limite a reagir a casos isolados, mas que procure identificar padrões, responsabilizar os perpetradores e prevenir a recorrência destes actos.
A organização também registou pelo menos 40 vítimas de “violência política e uso desproporcionado da força” por parte da polícia entre Maio e Setembro. Desde Julho de 2025 até ao presente, foram documentados mais de 20 ataques contra membros de partidos da oposição.
A Anamola tem denunciado repetidamente o assédio político por parte da polícia aos seus membros e apoiantes. Contudo, as autoridades permanecem em silêncio, uma vez que ninguém foi responsabilizado em casos de assassinato de políticos da oposição, particularmente aqueles do partido Anamola.








